quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Futuro Ligeiro da Demora


Edição e revisão: Marsel Botelho


                                                   Mais que acreditar no sonho Tito Marcelo o realiza



“Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena/Acreditar no sonho que se tem/Ou que seus planos nunca vão dar certo/ Quem acredita sempre alcança!” (Flávio Venturini/Renato Russo). Com essa célebre frase, apresento a vocês, queridos leitores, o cantor e compositor pernambucano, atualmente morador do Rio de Janeiro, Tito Marcelo, que acaba de lançar seu terceiro álbum, “O Futuro Ligeiro da Demora”. Apesar de ser o terceiro CD, tem para o artista o status de primeiro, já que os outros dois ficaram restritos ao nicho de admiradores. As 11 canções foram produzidas por André Vasconcellos e contaram com um timaço de grandes músicos. Sim, o artista simplesmente largou o emprego na informática e na vida empresarial para embarcar de vez na vida artística e todos nós sabemos que não é fácil ser um artista independente neste país.

O “Futuro Ligeiro da Demora” mostra o músico antenado ao novo, sem esquecer de suas referências sonoras como Luiz Gonzaga, Djavan, Bob Marley, Legião Urbana, Lenine, Michael Jackson e Titãs. Tito mostra personalidade como compositor e intérprete de suas canções, nelas ele canta sua verdade e nos convida a fazer parte de seu mundo de preciosidades. Com um arranjo para metais, a música que abre o álbum, “Andei Fechado” (T.M), tem uma “suingueira” e um refrão que diz: “Eu andei fechado e recolhido/Dos perigos do amor/Você chegou me deu abrigo/Deu motivo pra eu me expor”. Fazendo uso dos sintetizadores e “samples” de bateria, as canções “A Cor de Sermos Nós” (T.M) e “Segredos” (T.M) mergulham no universo oitocentista. Cantando um fim de relacionamento, o artista mergulha na melancolia, emoldurada pelo som do piano “Rhodes”, na canção “Surto da Espera” (T.M). Maravilha de canção.

Uma das músicas mais bela do álbum, “Como se Quis” (T.M), nela o artista mostra todo seu lirismo (destaque para a bateria de João Viana e para o trio de metais arregimentados por Eduardo Farias). Artista é aquele que acredita no que faz e o Tito Marcelo é um desses artistas. “Hoje me aceito como artista. E tenho prazer no ofício de compor. Eu me sinto compositor. O lugar onde eu fico mais confortável é compondo. E a minha missão é mostrar minha música. Se o ouvinte vai gostar ou não, isso já não é da minha alçada”, escreve o artista em seu “release”.

Na praia de Djavan, Tito Marcelo canta “Quando a Liberdade Chama” (T.M), destaque para o arranjo dos metais. Primeira parceria do álbum, a canção “Leve Leveza” (Tito Marcelo/Xico Bizerra) mostra que o artista vestiu com roupa fina e perfumada a poesia de Bizerra. Assim como o nome, a música é leve. A letra (poema) não foi alterada em nada pelo artista, que manteve os versos no original, apenas os vestindo com a seda de suas harmonias.

Acompanhado do pandeiro mágico do mestre Marco Suzano, o artista entoa os versos de Xico Bizerra na canção “Verões Invernados” (Tito Marcelo/Xico Bizerra). Para finalizar, ouviremos a poética “Depois de Tudo” (T.M), o “reggae” composto com Yuri Queiroga e Rodrigo Bezerra em “Vitrais” e a música “Bombai”, que cita em sua letra o título do CD “O Futuro Ligeiro da Demora”. Vale a audição.


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