quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O rock vira moda na viola


Edição e revisão: Gesu Costa
Foto:Rita Perran

                                                                Para roqueiro nenhum por defeito

                        Você sabia que dois dos melhores violeiros deste gigantesco país já cruzaram o mundo com suas violas tocando clássicos do rock? Ricardo Vignini e Zé Helder fazem parte da banda Matuto Moderno, inclusive, já foram destaque em nossa coluna em 5 de novembro de 2014.  Acabam de lançar o segundo CD da dupla “Moda de Rock ll” Instrumental (Folguedo/Tratore). Produzido por Vignini, o álbum traz 12 faixas de clássicos do Rock e do Metal que marcaram toda uma geração.
Tudo começou quando os dois caboclos, que também lecionam  as técnicas  da viola, tiveram a pretensão de mostrar aos seus alunos  que  ela (a viola) não é esse bicho de sete cabeças e que  pode ser tocada em qualquer segmento. O primeiro álbum da dupla foi lançado em 2011, o sucesso foi tanto que eles engrossaram o caldo e nos presentearam com virtuosidade e técnica tirando qualquer indício de ser um CD de cover.

                     Quem são estes músicos que introduziram a viola no Rock demostrando principalmente aos mais jovens e aos mais radicais dos violeiros que o diálogo é natural e possível? Ricardo Vignini  é músico, compositor, produtor professor de música e pesquisador de música tradicional. Nascido em São Paulo capital, o jovem Vignini teve seu primeiro contato com a  música caipira através de seus familiares oriundos das cidades Águas da Prata, São João da Boa Vista e Rio Claro interior de São Paulo. Ele lançou nesse ano o seu primeiro CD solo, “Na Zoada do Arame”, álbum totalmente instrumental.Zé Helder nasceu em Cachoeira de Minas (MG). Neto de violeiro, tem Três CDs solos lançados “Orelha de Pau” (2002) “A Montanha” (2004) e “No Oco do Bambu” (2009)  , trabalho inspirado na música regional e caracterizado pela instrumentação acústica e coro de três vozes. Formado em Licenciatura em Música, é professor de música há 11 anos e músico profissional há 19 anos. Criou o curso de viola caipira no Conservatório de Pouso Alegre (Cempa) e atualmente leciona o instrumento no Conservatório Municipal de Arte de Guarulhos. 
                
                    É muito satisfatório poder ouvir o som da autêntica viola caipira interpretando os clássicos a seguir.“Refuse / Resist” ( Sepultura -Andreas Kisser/Iggor Cavalera/ Max Cavalera / Paulo Xisto Pinto Jr), “Why worry” (Dire Straits - Mark Knopfler), “Fearless'' ( Pink Floyd –Gilmour/Waters), “Paint it black” (Rolling Stones - Mick Jagger/ Keith Richard), “I want to break free” (Queen - John Deacon),  “Raining Blood'',( Slayer –Hanneman/King) “Laguna Sunrise” (Black Sabbath –Iommi/Butler/Ward/Osbourne), “Diary of aMadman''(Osbourne/Daisley/Kerslake/Rhoads), “Thundestruck'', ( AC/DC – Angus Young/Malcom Young), ““Fade to Black'' (Metallica –Hetfield/Ulrich/Hammet),“We Want the Airwaves''( Ramones- Joey Ramones), “Wasted Years''( Iron Maiden- Adrian Simith), vocês poderão conferir,  no próximo sábado dia 13 às 20 horas, o lançamento do CD “Moda de RockII - Grátis  no Teatro Adamastor Centro – Av. Monteiro Lobato 734 – Macedo Guarulhos SP.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A folia vai começar


  Edição e revisão: Gesu Costa

O povo esquece tudo para cair na folia


                            Neste ano, o carnaval brasileiro começa mais cedo, ele que  proporciona a todos nós um menu  interessante no quesito música, basta escolhermos o destino para sabermos que tipo de som irá nos embalar. É assim de norte a sul, de leste a oeste; um desfile de hits. Os carnavais passaram a ser um produto que rende e movimenta milhões, mas no passado eram vistos de outra maneira. Nos áureos anos 1920 a 1960, os carnavais de rua traziam suas agremiações sempre acompanhadas de uma marchinha, que apresentava em sua letra temas picantes ou de duplo sentido.
Você sabia que a primeira marchinha “Ó Abre Alas” foi composta pela musicista Chiquinha Gonzaga, em 1899, sob encomenda do Cordão Carnavalesco Rosas de Ouro. Ainda hoje, memoráveis marchinhas fazem sucesso nos bailes carnavalescos de Carnaval. Quem não se lembra da “Allah-La Ô” (Haroldo Lobo/Nássara), ou das “Apareceu a Margarida” (domínio público), “A Pipa do Vovô” (Manoel Ferreira/Ruth Amaral), “As Pastorinhas” (domínio público), “As Águas Vão Rolar” (domínio público), “Aurora” (Mario Lago/Roberto Roberti), “Bandeira Branca” (Max Nunes/ Laércio Alves), “Cabeleira do Zezé” (João Roberto Kelly/Roberto Faissal), entre outras.

                         A primeira escola a utilizar um samba-enredo foi a “Unidos da Tijuca”, em 1933 (fonte: Wikipédia), pois, antes disso, as escolas desfilavam cantando de um a quatro sambas durante o percurso, sem alusão a um tema específico. O primeiro samba-enredo gravado foi "Exaltação a Tiradentes" (Fernando Barbosa Júnior/Mano Décio da Viola/Estanislau Silva/Penteado), interpretado pelo cantor Roberto Silva, para o Carnaval de 1955, mas obteve pouca repercussão. O samba foi apresentado pela “Império Serrano” (fonte: Wikipédia).

                      O Sudeste se rende aos sambas-enredos trazidos pelas escolas de samba, cantados com empolgação por seus intérpretes e foliões. As agremiações ou escolas de samba promovem concursos internos para escolha do tema/enredo a ser cantado no Carnaval. Geralmente, personalidades artísticas, cidades, estados são homenageados nesses enredos. O Nordeste brasileiro nos oferece uma infinidade de sons, indo passar o Carnaval em Pernambuco, o folião terá uma grande mistura de ritmos e sons, a começar pelos blocos de maracatus, como o Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação. Ainda em Pernambuco, o ritmo que contagia a todos é o frevo, que puxa blocos com milhares de foliões. Na boa terra baiana, os trios elétricos são a grande sensação, os foliões não resistem e não conseguem ficar parados ao ritmo acelerado dos trios. Também na Bahia, os blocos de afoxé arrebatam multidões com seu ritmo e som oriundos do Candomblé.
Para quem não sabe, um carnaval começa quando o outro acaba, leva meses para sua elaboração. Nesse evento tão nosso, as artes plásticas, teatrais e musicais são privilegiadas. Aos foliões, um pouco da história dessa grande festa!
O Planeta MPB cai na folia junto com o leitor.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Carioca de alma musical mineira


                                                                             Edição e revisão: Gesu Costa

A poesia e o canto mineiro na voz de um carioca


                Quando pensamos em um cantor carioca, é natural que associemos esse artista ao samba pela força que esse segmento tem na cidade maravilhosa por seus grandes compositores e interpretes. Nesta semana, o nosso destaque é um carioca da gema, Sergio Dumont compositor e cantor, que lança seu primeiro CD: “Sergio Dumont”. São doze faixas, sendo dez assinadas pelo artista. Neste primogênito, Dumont contou com uma constelação de músicos e dois convidados mais que especiais Flávio Venturini e Jane Duboc. A produção musical é assinada por Ricardo Leão, exceto a música Sonho Demais que tem  a assinatura e a participação especialíssima de Flávio Venturini.
Sergio tem o mar aos seus pés, mas resolveu mergulhar nas montanhas, harmonias e melodias mineiras para dar vida ao seu sonho de compositor. Sua influência vem dos cantores e compositores Flávio Venturini, Beto Guedes, Milton Nascimento, Lô Borges e de tantos outros que marcaram sua história  e a de muitas gerações. Dumont também mergulhou na obra de nomes como Jane Duboc,  Chico Buarque, Ivan Lins e Djavan para compor sua obra.

              Posso garantir que a música do Sergio Dumont é fina, é flor que brota das montanhas gerais. Para ouvir tem de haver uma entrega, uma troca de sentimentos, muitas vezes contidas nas linhas melódicas. “Aos prezados leitores do Planeta MPB, desejo que vocês, ao lerem a reportagem, se sintam motivados a ouvir o meu trabalho. A minha música não faz uso de apelações para ser, ela é fundamentalmente uma música de amor à vida, à alegria, à amizade e a todas essas coisas que são os verdadeiros tesouros da vida” Sergio Dumont.

             A primeira música do CD “Vida” descreve a alegria que se tem em realizar o que desejamos. A vida com fé, amor e paz. Destaque para o sopros de Zé Canuto (Sax Soprano) e Márcio André (Flugel Horn). Na segunda canção, Sergio mergulhou de corpo e alma na obra do amigo Flávio Venturini com  quem divide os vocais na canção “Sonhei Demais”. Quem não conhece o trabalho do Sergio, ao ouvir este tema, pode pensar que é do Venturini. A música é um bálsamo para os ouvidos musicalmente maltratados. “Brasileirice” canta a nossa raça de norte a sul. Belíssima.  "O Nosso Destino"(Alexandre Loro/Daniel Figueiredo/Leo Shanty/Luciana Browne), o artista empresta a voz e a emoção para essa bela canção. Agora é a vez de dividir com a Jane Duboc os vocais em “Realeza Vulgar”, vale conferir. Da inesquecível Edith Piaf/Louiguy ouviremos a clássica “Lá Vie En Rose”. Já dei algumas dicas, mas ainda temos muito que ouvir, um verdadeiro desfile de melodia e poesia nas canções “ Beija-Flor”, “Vila Rica”, “Que Seja Sonho Então”,  “Praia Seca”, “Só Por Amor” e “Tema Número  1”. Agora é a vez de vocês me contarem o que acharam desse talento nato através do http://planetampb.blogspot.com.br/. Para comprar o cd acesse: http://www.sergiodumont.com/   Música boa existe, mas é preciso ir aonde o artista está.
                          

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

De peito aberto

Edição e revisão: Gesu Costa

 A Música que vem de dentro, sem medo de ecoar 


A Paraíba é um celeiro de grandes artistas em diversos estilos com repercussão nacional e internacional. Isso prova que a música de qualidade é levada à sério. Recebi das mãos de Jeorge Segundo, líder e vocalista, o CD da banda “Radio Esterno”, primeiro da carreira. Produzido por Giordano Frag, André Victor e o próprio Jeorge, o álbum traz  nove temas que passeiam pelo rock-folk-pop. A banda é formada por Jeorge Segundo, Rafael Chaves, Filipe Soares e Danilo di Oliveira. Apesar de jovem a banda, percebe-se a maturidade pela qualidade musical e poética. As canções são assinadas por Jeorge Segundo, excerto a canção “Entre Linhas” que o músico divide com a cantora e conterrânea Val Donato. É importante sabermos o que está acontecendo musicalmente nos quatro cantos do país e de modo bem detalhado.

Os meninos do “Rádio Esterno” têm tudo para ganhar as estradas e colecionar uma legião de fãs, pois as músicas têm conteúdo e devem ser ouvidas. “O som no meu peito se propaga a cada momento, o esterno em seu interior é um osso duro, mas protetor, guardião do coração, veias e sentimentos. Essencial na respiração, expiração. E minha inspiração pois respiro música e de forma única. Esse é o ar que enche meu pulmão. Rádio é música , mas também é outro osso, do braço. Abraço-me a essa ideia fascinante entre as emoções internas e a carcaça de fora. Como uma fratura exposta vou de peito aberto. Música de dentro a Rádio Esterno” escreve Jeorge Segundo.

A primeira música “Entre Linhas” fala da busca interior pelo caminho seguro, a letra nos convida a essa reflexão. “Eu andei traçando um mundo/Riscando o que me faz mal/Por linhas tortas vou vivendo/E aprendendo a caminhar.” Destaque para o solo de guitarra. O amor e suas desilusões, a busca por uma resposta, o sim ou não, se ouve na canção “Do Outro Lado”. Em “Avenida Esperança”, a banda tem a participação especial do saxofonista Wellington Yssi que faz um solo intenso.

Ouvindo este trabalho, cresce em mim a esperança de que outras bandas e cantores possam continuar produzindo músicas com originalidade, sem a preocupação apenas de vender um produto, mas que possam gravar as suas verdades como esta da Rádio Esterno. Jeorge é um poeta, sabe lidar com as palavras, sua música tem uma melodia agradável. Em “Montanha Imaginária” a mensagem é clara, vá em busca de seus objetivos não importa a dificuldade e as pedras do caminho. A gaita de Guto Santana na introdução, harmonizando e solando em “Travesseiro de Pedra” é surpreendente, além da poética cantada por seu autor. Ouviremos  uma canção para acampamento com todos os temperos necessários  em “Três Palavras e 1 Segundo” . Para conhecer mais sobre a banda visite o site http://radioesterno.com.br/site/ Para finalizar este primeiro de muitos que certamente virão,  ouviremos os temas “Pássaros Urbanos”, “Sombras” e “o Vento do Mundo”.


                                                  


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Porcelana

Edição e revisão: Gesu Costa
Foto:Georgia Branco

                                                                            
                                                                      Música, Poesia e Amizade


Os ouvintes brasileiros que prezam pelo bom gosto nas letras, melodias e harmonias elaboras não o encontram no top 10 de alguns programas de Tvs e rádios, porém eles sabem onde encontrá-lo. Hoje para este público o destaque é o CD que já nasce clássico “Porcelana”. O encontro da diva Alaíde Costa e do cantor pernambucano Gonzaga Leal é muito impactante. A beleza do que se ouve evidencia a certeza de que neste Brasil existem artistas de  alto nível. A produção, direção musical e regência ficou por conta de Cláudio Mora. Os arranjos das 12 faixas que foram escolhidos por Gonzaga, Alaíde e Maurício Cezar são assinadas por Adilson Bandeira, Maurício Cesar e Marcos FM.

O primeiro encontro entre Alaíde e Leal se deu há mais de 10 anos na capital pernambucana, quando a cantora estrava em turnê. Ali nascia uma amizade de irmãos que resultou no projeto de shows em que Alaíde e Gonzaga realizavam em dezembro por conta do aniversário de ambos.  “Porcelana” é o primeiro registro em CD da dupla, realizado sem pressa, e contemplam um repertório rico. O título do projeto foi escolhido com cuidado, a porcelana se distingue pela sua delicadeza, mas também pela resistência e transparência.

 Ouvir Alaíde e Gonzaga é  harmonizar sentimento com sonoridade. Para abrir essa audição ouviremos pela primeira vez  Alaíde cantar no idioma iorubá. Trata-se da canção “Omi Imalé” (Cantiga de Sasanhe- Domínio Público) que é precedida de “Oiá” (Sérgio Pererê) cantada divinamente por Leal, juntas, na abertura, servem como prólogo do CD. A segunda canção “Meu Amor Abre a Janela” (Thiago Torres da Silva/Armando Machado) ganha interpretação única de Alaíde. O primeiro dueto se dá na belíssima canção “Delicado” (Socorro Lira). A poesia de “Em tempo (João Cavalcante) ganha de Gonzaga uma roupagem digna de sair às ruas. Quero ressaltar desde o início que os arranjos são de uma qualidade ímpar, verdadeira moldura para vozes de Alaíde e Gonzaga.

 Da sutileza da voz à interpretação digna de uma diva se ouve em “Fim de Ano” (José Miguel Wisnik /Swami Jr). Em “Bem –me –quer” (Consuelo de Paula/Rubens Nogueira/Luiz Salgado) se ouve um dueto recheado de poesia e emoção. A interpretação de Gonzaga para “Devidamente Nua, a Lua”(Orlando Morais/Caetano Veloso) é algo mágico. “O Meu Menino é de D`oiro (Zeca Afonso) ganha de Alaíde uma interpretação emocionante e de quebra Gonzaga declamando versos do saudoso Manoel de Barros. A mineira Consuelo de Paula e a paraibana  Socorro Lira são imortalizada na voz de Gonzaga na poética canção “Água Doce de Mar”. Capiba na voz de Alaíde só se ouve aqui em Porcelana na canção “Quando se vai um amor”. A clássica “Solidão” (Alceu Valença) ganha um lindo arranjo e o mundo novamente na voz solene de Gonzaga. A música que dá título ao CD “Porcelana” (Moisés Santana) é um poema musicado que a dupla veste de sentimento. Para finalizar esta sublime audição, um autêntico frevo “Frevo do Contra –Êxodo (João Cavalcanti). 
Porcelana é isto.