quarta-feira, 29 de julho de 2015

Para todas as idades

Foto: Divulgação
Revisão e edição: Patrícia Chammas


De Portugal para o Brasil,
a poesia atravessa o tempo e se faz canção

Esta semana o Planeta MPB tem o imenso prazer de mergulhar em uma obra lítero-musical que contempla três gerações de uma família que nasceu para a arte.
“Conversas com Versos” é um livro de poemas escrito originalmente em 1968 por Maria Alberta Menéres, em que a autora inventa mundos, imagens, amigos e não deixa que a criança que mora em nós perca o brilho nos olhos. Hoje, quase meio século de sua primeira edição, a escritora ganha uma homenagem de sua filha, a cantora portuguesa Eugénia Melo e Castro: a recriação da obra num álbum musical.
Do livro, Géninha retira 14 poemas, cria 11 canções e entra no universo musical infantil, dando continuidade e uma nova leitura a esta obra poética.
O álbum foi gravado e produzido por Eduardo Queiróz em parceria com os músicos e autores Camilo Carrara e Nath Calan, para o Selo Sesc. Já o livro foi editado pela Porto Editora, em Portugal e, no Brasil, pela Editora Leya.
O material impresso contém 60 poemas além dos musicados. As partituras e as novas ilustrações ganham da neta Mariana Melo um novo olhar, apresentando ao velho e ao novo público a arte de três gerações.
“Quando minha mãe escreveu em Portugal este seu primeiro e pioneiro livro de poesia infantil, estava longe de mensurar a importância e a força com que iria marcar para sempre gerações e gerações de crianças, agora adultos, e seus filhos, netos, e os que virão a seguir, numa sequência natural, onde a imaginação é o seu principal ponto de partida, e de chegada. Eu, sua filha, fui a primeira a ser testada. Junto com os primos e minha irmã, fazíamos teatro com os poemas, fazíamos recitais, e isso alastrou-se a todo o país, lá em Portugal, marcou da forma mais saudável e criativa a nossa formação poética e imaginativa. Este livro, e agora o disco, foram rebuscar as memórias dos pais e avós, e está a conquistar as crianças de agora, num círculo infinito e crescente de possibilidades”, diz a cantora.
Tanto o livro como o CD não têm idade para serem degustados. Crianças de todas as idades podem fazer uma imersão em suas páginas e viajar em suas asas. As canções que emolduram os poemas de Maria Alberta Menéres têm parceria com Eduardo Queiróz, Camilo Carrara, Nath Calam e a própria Eugénia Melo e Castro.
O poema “As Pedras” diz: “As pedras falam/Só entende quem quer/Todas as coisas têm/Uma coisa pra dizer”. Imaginei as batidas do Olodum para a bela canção “Pulos”. Eugénia divide os vocais com Ney Matogrosso no bom samba “O Meu Chapéu & Consulta”.
Um reggae se ouve em “Direcção”. Géninha convida o cantor Lino Krizz para dividir os vocais nas canções “Os Nomes” e “O Nariz”. Algumas músicas são candidatas a conquistar o público por sua poética e melodia viajantes. São elas: “A Hora do Chá” e “Ver & Viagem Espacial”.
Ainda ouviremos “A Árvore”, “Cantinela & Umas Contas” e “Nascimento”. Leve as crianças e sinta-se como uma no show de lançamento nos dias 1º e 2 de agosto, no Sesc Pompeia, ao meio-dia.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

“Abrigação”: um mergulho na arte

Foto: Lela Beltrão
Edição e revisão: Patrícia Chammas

Mundy traz universo musical
personalizado por outras vertentes da Arte

Agregar e compartilhar o talento com diversos campos da arte é algo que deve ser louvado e copiado. Assim fez o músico e cantor paulistano Ângelo Mundy, que está lançando seu primogênito, “Abrigação”, CD que foi concebido por meio de projeto de caráter coletivo.
O álbum foi produzido por Mundy em parceria com Fê Stok e Jonas Tatit. São 11 canções, oito assinadas pelo artista. Em seu encarte visualizaremos obras inspiradas nas músicas, cada uma criada por um convidado diferente.
No lançamento serão projetados 11 “vídeos-arte” que se relacionam diretamente com as canções e com essas obras visuais. Trata-se de um show cênico-musical que sintetiza os múltiplos territórios expressivos do projeto.
“Canções sobre o ser e a cidade. Aquele que em meio ao caos, próprio das metrópoles, percebe e respeita a necessidade do mergulho em si, mesmo como uma forma de encontro de eixo, de integridade, para então voltar a desabrochar para o mundo, vivê-lo. Um eterno movimento de olhar para dentro e para fora, para fora e para dentro, e encontrar pontos de equilíbrio, antídotos para dores e poesia para a vida. A cidade como espaço de descoberta de si mesmo, um espelho”, diz o cantor.
O CD conta com inúmeros músicos, o que confirma a temática de agregação entre amigos que comungam de sua arte.
Ângelo dosa com maestria a melodia e a poesia afloradas na canção que abre o CD, “Dois, Um”, uma toada que nos remete a terras de Guimarães Rosa. Um diálogo constante entre seu violão e o cello solene de Rebeca Friedmann permeia a história de amor, os encontros, as entregas, o dividir cada espaço. A música contempla a vida e nos convida a nos enxergarmos através dela.
A canção “O Zé e a Cidade” fala das condições do homem em meio ao caos urbano, tendo de matar um leão a cada dia para sobreviver. “Taquicardia” mostra uma composição pulsante do violão percussivo, costurada com a bateria e percussões novamente na temática da briga diária pela sobrevivência.
“Atadura, Oração” preza pela fé, pela proteção Divina em seu contexto, tendo como referência a matriz africana. Nela, Mundy divide os vocais com a cantora moçambicana Lenna Bahule.
O tema “Silêncio Completo” é um diálogo poético reflexivo, pontuando de maneira inteligente a hora de calar... Em “Dilúvio” (Ângelo Mundy/Nicolas Brandão), a chuva que brota do som é uma comunhão instrumental que nos ambienta e nos molha de poesia.
O compositor trabalha com a emoção da tristeza e mostra um paralelo entre as indagações e as doses de humor em “Talvez Seja Mesmo Tristeza”. A letra da canção “Eu Mal Te Conheço” traduz algo como: “eu mal te conheço, mas não consigo te esquecer”, com que muitos irão se identificar.
As três canções finais, “Engasgado” (Ângelo Mundy/Gustavo Angimahtz/Nicolas Brandão/Henrique Gomide), “Amor Nômade”, e “Bob Fala, Ouvido Ouve” (Ângelo Mundy), deixo que vocês confiram no lançamento do álbum.

Serviço
Dia 1/8/15, sábado, às 18h
Galeria Olido/Sala Olido – Avenida São João, 473 – Centro, SP
Telefone: (11) 3331-8399
Lotação: 293 lugares
Entrada franca

quarta-feira, 15 de julho de 2015

G3 tupiniquim

Edição e revisão: Patrícia Chammas

Três monstros da guitarra nacional em duelo de gigantes

Em meados de 1996 o guitarrista americano Joe Satriani convidou seus conterrâneos e também guitarristas Eric Johnson e Steve Vai para cair na estrada com o formato que recebeu o nome de G3. O tour rendeu o DVD/VHS/CD “G3: Live in Concert”, gravado em novembro de 1996, no Northrop Auditorium, em Minneapolis (Minnesota, EUA). Desde 2014 Satriani participa do “G4 Experience”, uma expansão da ideia do G3.
Em terras tupiniquins a proposta é parecida com a dos guitarristas americanos, com o diferencial de se tratar de um “ensaio aberto” com três dos mais renomados guitarristas brasileiros: o paulistano Luiz Carlini, o carioca Sérgio Hinds e o angolano Nuno Mindelis, que estarão no palco tocando suas obras, duelando com suas guitas, no sagrado sentido da palavra.
Diferentemente de um show, no ensaio aberto o artista pode parar e recomeçar, levando os fãs a terem ideia de como acontecem os preparos para uma apresentação, ou até mesmo para uma turnê. Idealizado pelo produtor Roberto Oka, este será o primeiro de inúmeros encontros que devem acontecer durante o ano. Vamos conhecer um pouco mais das particularidades de cada um desses “Gs”.
Luís Sérgio Carlini é simplesmente o criador de um dos solos de guitarra mais executados em todos os tempos, o da canção “Ovelha Negra”. Dono de um virtuosismo ímpar, Carlini é considerado um dos maiores guitarristas da história do rock brasileiro. É também um dos fundadores, compositor e líder da banda Tutti Frutti que, durante os anos 1970, gravou e tocou com Rita Lee, compondo e participando das gravações de alguns dos maiores sucessos da cantora. Desde o término oficial da banda, no começo dos anos 1980, Carlini continua a tocar e gravar, tendo participado de mais de 400 discos de cantores e músicos diversos. Atualmente integra a banda do cantor e compositor Guilherme Arantes.
Angolano radicado no Brasil, Nuno Mindelis é considerado um dos maiores guitarristas de blues do País. O primeiro álbum, “Blues & Derivados”, veio em 1990 e recebeu elogios da crítica especializada. No ano seguinte gravou seu segundo disco, “Long Distance Blues”. Em 1994, o músico obteve reconhecimento internacional através da revista americana Guitar Player, quando o editor Jas Obrecht comparou Mindelis a Jimmy Page. Quatro anos depois, foi eleito o melhor guitarrista de blues, segundo o concurso mundial de aniversário de 30 anos desta mesma mídia.
Sérgio Hinds lidera e mantém viva a lendária banda de rock progressivo “O Terço” há mais de 40 anos. Hinds é considerado pela crítica um dos maiores guitarristas brasileiros de todos os tempos. Além de ser publicitário e escritor, Sérgio tem 18 CDs e dois DVDs gravados. Participou em trabalhos de músicos como Ivan Lins, Marcos Valle, Sá e Guarabyra, Walter Franco, Jorge Benjor, entre outros.
Você não vai perder, vai?
SERVIÇO: Dia 17/7/15, sexta-feira, às 21h. Estúdio Espaço Som – Rua Teodoro Sampaio, 512 – Pinheiros. R$ 35. Lotação: 300 lugares.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Estreia com personalidade

Foto: Fabiola Fanti
Edição e revisão: Patrícia Chammas

Bom-gosto aparece nas letras inteligentes
e no instrumental elaborado da banda

Em meio à quantidade de bandas e cantores que se lançam no mercado fonográfico brasileiro, alguns por selos renomados, outros bancando o próprio sonho de cair na estrada, eis que recebo, entre dezenas de trabalhos do lote da última semana, um, cujo nome me fisgou, a ganhar minha audição cuidadosa. Trata-se da união de quatro jovens que apostaram no próprio sonho.
“Planeta D” é uma banda paulistana com três anos de estrada, formada por Gustavo Vervloet (vocal e violão), Lucas Feletto (guitarra e vocal), Rafael Fernandes (baixo) e Leo Prieto (bateria e vocais). Produzido por Rodrigo Castanho, o álbum conta com 11 faixas, nove delas assinadas por Gustavo.
O trabalho apresenta personalidade, mesclando rock, pop e trazendo na essência de suas letras o cotidiano, as relações afetivas e a bagagem musical de Gustavo que, de todos integrantes, é o que mais tem vivência na área. Capixaba de Vitória, escolheu a capital paulista desde 2011, para aqui formar uma banda e pôr o pé na estrada.
“A escolha do nome ‘Planeta D’ remete a drama, desejo e outras experiências de vida do dia a dia”, comenta o vocalista. As influências da banda são: The Beatles, Mumford and Sons, Os Mutantes, Pearl Jam, Tom Jobim, Lenine, Incubus, Gilberto Gil e Nando Reis. Gustavo também gosta de ressaltar suas referências literárias como Fernando Pessoa, Hermann Hesse, Eckhart Tolle e Vinícius de Moraes.
O Planeta D não veio para brincar de fazer música, eles nos mostram um CD bem produzido, com vocal e instrumental maduros e estão preparados para angariar uma legião de fãs Brasil afora.
Para abrir a audição, a canção “Se ao Menos” (Lucas Feletto/Gustavo Vervloet/Gustavo Rosseb) nos remete a uma reflexão, um olhar para dentro, a busca pela paz interior. O “enfrentar os medos” que nos rodeiam e a busca pela paz se ouve em “Fé de um Sonhador”.
Além de cantar bem, Gustavo tem o dom com as palavras que modelam as melodias. O amor e a busca da paz são temáticas fortes no trabalho da banda. “Antes que o Sol” é um dos exemplos disso e com cuja letra nos identificamos em algum momento. A biografia de um amor é o que conta a canção “Está na Cara”, história entre Gustavo e a mexicana Lou Salguero, conhecida durante uma viagem à Índia. Ela largou tudo em seu país para viver esse romance com o músico no Brasil.
A segunda canção em que Gustavo divide a parceria, desta vez com o guitarrista Lucas Feletto, é “Se o Mundo Resolver Girar”. “Só há espaço para quem abre espaço dentro de si”, é assim que a canção “Espaço” faz o alerta.
Gostei muito da forma com que os temas foram mixados, sem puxar a sardinha pra um lado ou para outro. A sétima canção, “Contos”, para mim deve virar hit. Ela pega na veia com uma poesia moderna, conclamando os jovens a se agregar em busca do amor.
As canções a seguir prezam pela mesma temática e, assim como as anteriores, colocam a banda na estrada: “Seu Norte”, “Clínica”, “A Viagem” e “O Salto”.
Sucesso nessa caminhada!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Com a bênção de Hermeto

Agradecimentos especiais a Patrícia Chammas

Versátil cantora e multi-instrumentista, Aline Morena
lança seu primeiro álbum

 Se fazer parte da trupe de Hermeto Pascoal já é um prazer imensurável, imagine ser abençoado musicalmente por ele, que é referência mundial em criatividade, musicalidade e improvisação!
Aline Paula Nilson, ou simplesmente Aline Morena, uma jovem artista de 36 anos, completados no último dia 29, é privilegiada, pois comungou desse universo, literalmente de perto: foi casada com o “Mago”. Hoje são apenas amigos, mas Aline tem de Hermeto o respeito musical que a artista gaúcha merece.
Depois de dividir com o músico os CD e DVD "Chimarrão com Rapadura" e o CD "Bodas de Latão", em comemoração aos sete anos juntos, chegou a hora dela se lançar na carreira solo e colher os frutos do aprendizado de tantos anos.
“Sensações” é o título de seu CD de estreia, que apresenta uma cantora madura e uma instrumentista, navegando bem do piano ao pandeiro, da viola caipira à percussão corporal.
Dirigido e assinado por Hermeto Pascoal, o álbum conta com 18 canções e apresenta a fase compositora e intérprete dessa talentosíssima artista. Aline foi acompanhada por uma senhora seleção de músicos: Hermeto Pascoal, João Pedro Teixeira. Itiberê Zwarg, Ajurinã Zwarg, Márcio Bahia, Fábio Pascoal, Elísio Costa, Guego Favetti, Leonardo de Medeiros, Mariana Zwarg, Carol Panesi, Karina Neves, André Marques e Vinícius Dorin.
Prepare-se para conhecer o universo do canto de Aline, que chega a notas agudíssimas, de arranjos com a assinatura peculiar de Hermeto.
A primeira canção, “Canjica Animada”, já nos dá uma ideia de como será a audição até o final do CD. Nela, a artista, além de cantar, toca piano com um arranjo cheio de contratempos, marca registrada da música de Hermeto. A segunda canção, “São Jorge”, é uma pintura musical assinada por Hermeto e Aline, lindo tema que nos remete a um passeio num fim de tarde. A cantora acompanha a melodia com vocalizes, e declama os versos da canção.
A clássica “Todo o Sentimento” (Cristóvão Bastos/Chico Buarque) ganha roupa nova e sai para desfilar, agora em companhia de Aline Morena. Mais uma da dupla Aline e Hermeto, “Boiada”, mostra um baião nos moldes do Mago, com voz e instrumentos dialogando numa sintonia tal, que mais parece um trem cruzando o sertão. Simplesmente fantástico.
Uma demonstração de que mesmo depois do fim da união fica o sentimento de amizade, ouviremos em “Com Carinho” (A.M.). A gaúcha nos prova que a convivência com Hermeto e grupo lhe proporcionou mergulhar em um universo sonoro jamais adquirido em uma universidade de música, e nos brinda com um autêntico baião: “Lamento Verde”.
Agora é a vez de mostrar um samba em “Aconteceu” (A.M.). Na sequência, mais um clássico a que a cantora empresta a voz com emoção: “Beatriz” (Edu Lobo/Chico Buarque). “Chá de Panela”, composição de Guinga e Aldir Blanc em homenagem a Hermeto, aqui ganha interpretação da artista.
Um instrumental conduzido com vocalizes e muita improvisação se ouve em “Voa Ilza” (H.P.). Com Guego Favetti, Aline divide os versos da maravilhosa “Tenho Sede” (Dominguinhos/Anastácia). Em “Estrela Guria”, destaque para as camadas de vozes que se sobrepõem. Magnífico! “Canturia” (Elísio Costa/Dona Divina) traz elementos fortes da cultura e linguagem de Lagoa da Canoa (AL), terra de Hermeto.
Para finalizar este CD que coloca a cantora gaúcha na estrada, ouviremos um tema assinado por ela: “Está no Ar” e outros quatro assinados pelo mestre Hermeto Pascoal “Sereiarei”, “Úrsula”, “O Meu Coração Bateu” e “Frevando em Manaus”.
Que venha muito mais, Aline Morena!